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Um conto Bilquis

Blue e Kaluya – capítulo 2

ColeçãoBilquis Confissões TemasInevitável - Romance IntensidadeIntenso
18+

Ficção erótica para pessoas adultas. Leia no seu tempo, em um momento só seu.

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Blue e Kaluya – Capítulo 2

Kaluya

À noite, fui direto para casa, decidindo ignorar o treino e atribuindo meu cansaço ao fato de ser o tempo todo “importunado a cada instante por aquela mulher” como havia tentado me convencer mais cedo. 

Percebi depois de algumas horas que o espertinho do Vitor tinha razão, eu estava “chupando o dedo” feito uma criança. 

O pensando acabou me levando a outro sem que conseguisse me conter, eu queria chupar era outra coisa, “aquele cheiro doce e delicado da dançarina seria mais doce ou menos delicado quando eu a chupasse onde ela escorreria por mim?” 

A dúvida me atormentou de tal forma que só as imagens que invadiram minha mente já serviram para deixar meu corpo alerta. 

Uma ereção inconveniente me obrigou a mudar de posição no sofá. 

Aqueles movimentos perfeitos de deusa seriam tão elegantes quando eu puxasse seus cabelos e enterrasse meu pau bem fundo nela?” 

E aqueles malditos olhos escuros que não tinha me deixado dormir na noite passada? Como aquele olhar fica quando goza? 

Qual o caralho do som do gemido dessa mulher?” 

Isso era ainda mais difícil de imaginar, já que nunca ouvi sua voz, mas tinha a impressão de que não seriam tão suaves quanto seu cheiro… Precisava descobrir quem ela era, mas não queria perguntar para Bruno ou qualquer um da tropa, não a queria no radar de ninguém nem ligada ao meu nome a troco de nada no meio da loucura que estava prestes a virar minha vida…

Num ímpeto decidi então ligar para uma das únicas pessoas que podiam me ajudar a resolver aquele problema.

– Thiago Kaluya, não consigo imaginar a merda em que se meteu pra me ligar a essa hora, mas me diz que é grave, por favor. – A voz do outro lado respondeu me fazendo olhar intrigado para o relógio. 

Quanto tempo havia ficado fantasiando sobre aquela mulher?

– Não seja injusta Catarina, você sabe muito bem que mora no meu coração. – Respondi com um sorriso audível na voz. 

– O que foi que rolou cara? Fala pra sua amiga favorita poder voltar pra cama, por favor! – Catarina com certeza estava na cama de algum de seus namorados para ser tão irônica, o que só fez eu me divertir ainda mais. Mas continuei com a voz séria:

– Eu preciso que você encontre alguém. Uma mulher, foi vista dançando numa roda cultural com um conjunto rosa na noite de ontem no bairro Bama, perto da fronteira. Pela descrição ela tem altura mediana, cabelos compridos com dreads e olhos… escuros. – Respondi com a imagem da dançarina ainda dominando minha mente. 

– Uma civil? – A voz de Catarina soou surpresa pelo telefone, me trazendo de volta ao presente, há tempos não pedia para ela investigar algo que não fosse ligado aos negócios. 

– Sim. – decidi não me prolongar. – Mesma conta? 

– Tá Kaluya, quando tiver sua civil entro em contato. – Catarina completou desligando. 

Pronto. Estava feito, já não era mais questão de se, mas de quando a encontraria. 

A dançarina seria colocada em meu caminho mais uma vez.

Três dias depois Catarina já estava sentada em meu escritório. 

– Blue. – Ela disse se esparramando na cadeira à minha frente.

– Azul? – Questionei de volta sem entender. 

Havia passado a manhã a sua espera e agora a resposta vinha em formato de enigma, “O que devo fazer com essa informação?” Queria lhe perguntar irritado, mas me controlei. 

– Não. – A investigadora me respondeu entregando uma pasta. – Blue Nekhakha Mangual é o nome da sua dançarina.

– Blue Nekhakha Mangual? – Disse testando o nome minha na boca. – Que nome mais esquisito. 

– Pois é, parece que os pais são historiadores e mudaram o sobrenome no casamento, antes mesmo das filhas nascerem. 

Abri a pasta ansioso e me deparei com uma foto dela. 

Controlei a expressão o máximo que pude, mas senti minhas sobrancelhas se levantaram mesmo assim ao ver a foto da dançarina com um sorriso que parecia ir de orelha a orelha, seus dentes do meio eram separados e em conjunto com seu olhar brilhante a deixava com cara de menina sapeca. “Combina com o cheiro doce e delicado dela” pensei.

– Tem informações aí também… – Catarina disse curiosa com meu comportamento. – E mais fotos também. 

– Como foi que você conseguiu isso tão rápido? – Perguntei mudando o rumo da conversa. 

– Você sabe que isso não é tão complicado. – Catarina respondeu. – E não é como se ela estivesse tentando se esconder ou algo assim.  

– E ela tem alguma ligação com o nosso mundo?

– Não, nenhuma por enquanto. – Eu sabia o que esse “por enquanto” queria dizer. Se eu estivesse interessado nela, logo ela estaria no radar da tropa junto comigo.

– Você é a melhor sempre, Catita! – Disse me levantando e a abraçando. Queria ficar sozinho para analisar as informações com calma.  

– Então aproveita e me dá aqueles bônus que vou gastar tudo na Silhouette.

– Jamais. – Respondi rápido. – Na minha casa você não paga nem um centavo, nunca. Sempre foi assim e sempre vai ser. 

– Catarina? – Uma voz rouca perguntou surgindo na sala. – Como assim você vem até aqui e não vai me ver?

Vitin! – Catarina respondeu o abraçando. – Eu vim a trabalho meu amor, mas já estou de saída. 

– Trabalho? Isso não é desculpa! – Vitor disse começando uma conversa com ela. Deixei de prestar atenção voltando para minha mesa e pegando a foto de Blue de volta. 

Blue… Que nome interessante.” 

– Não acredito porra! – Vitor gritou recuperando minha atenção. Ele já estava com outra foto de Blue na mão quando dei por mim. – Quer dizer… na verdade agora sim eu acredito. Papai, que delícia! Mas tenho que te avisar, você vai ter que fazer duas viagens.

A gargalhada escandalosa de Vitor contagiou até mesmo Catarina que não poderia se divertir mais com toda a situação. 

– Vitor, você não deveria estar trabalhando? – Perguntei irritado.

– Eu estou no meu horário de almoço, me dá licença chefe? – Vitor respondeu fazendo cara de deboche.

– Eu te dou um bônus duplo se você tirar ele daqui Catarina. – Desviei minha atenção dele e olhei com súplica para minha amiga.

– Ele tá assim comigo só porque eu engravidei a irmã dele, não liga não Catarina. – Vitor respondeu me ignorando de volta.  

– Mano eu ainda não sei o que caralho você ta fazendo aqui, porra! – Respondi pegando de volta a foto das suas mãos.

– Eu tenho que ir, mas você sabe que qualquer coisa é só me ligar. – Catarina me respondeu rindo antes de se virar e ir embora.

– Eu vou junto com ela porque você não tão feliz quanto achei que estaria hoje. – Vitor respondeu com cara de cínico e foi embora atrás de Catarina. – Catita não me deixa…

Finalmente sozinho, pude olhar com calma a ficha de Blue. 

“Aromaterapia?” 

“Yoga?” 

“Então ela é uma dessas good vibes?” 

“Por que não tem nada sobre dança?”

 Essas e várias outras perguntas encheram a minha mente apenas com o primeiro parágrafo. 

Os seguintes, continham informações sobre a infância da terapeuta, suas redes sociais, trabalho e família.  Mas a constatação que mais me impressionou foi o estado civil da mulher. 

De certa forma, esperava ter que tirar alguém do meu caminho, mas aquele homem com quem ela dançava não era seu namorado… E ela não tinha nada oficializado com mais ninguém. 

– Bom, parece que eu estou precisando de terapia. – Falei para mim mesmo na sala vazia.